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Há milhares de anos as montanhas fascinam o homem, quer seja pela sua beleza, quanto seu poder. Histórias e lendas existem dentre todos os povos que convivem com cadeias de montanhas. As montanhas influenciam diretamente não só os hábitos, mas a fisiologia do homem . Em conseqüência não só dos mitos , como da própria dificuldade técnica, a prática do montanhismo como esporte, só iniciou-se no séc. XV nos Alpes. Atualmente milhares de pessoas escalam montanhas nos diversos confins da Terra. Esta prática tem crescido inclusive em nosso meio.
O desenvolvimento de tecnologias como por exemplo novos tecidos, permitem que o homem suporte condições climáticas cada vez mais extremas. Porém permanece uma grande barreira: A altitude e seus efeitos. Com a diminuição da pressão atmosférica , a quantidade de oxigênio disponível para nossa respiração também diminui gerando fenômenos adversos que podem muitas vezes levar a morte. A hipoxia (diminuição da concentração de oxigênio nos tecidos) , edema agudo pulmonar e cerebral são manifestações possíveis e típicas. A literatura relata que estes fenômenos podem ocorrer não só em grandes altitudes (acima de 4000m) mas também em altitudes moderadas (a partir de 2500m) pois nesta condição já se tem uma diminuição considerável na pressão de oxigênio no ar atmosférico.
No Brasil apenas 1% do território encontra-se acima de 2000m , porém algumas montanhas que alcançam até 3000m. Com o despertar de atividades como o ecoturismo e esportes de aventura , um número cada vez maior de pessoas tem alcançado o cume destas montanhas. Alguns dos importantes efeitos agudos da hipoxia, começando na altitude aproximada de 3.600m (alguns trabalhos científicos relatam que estes podem iniciar-se a uma altitude de 2500m) são sonolência, lassidão, fadiga mental e muscular, por vezes cefaléia, ocasionalmente náuseas e, por vezes, euforia. Um dos efeitos mais importantes da hipoxia é a diminuição da eficiência mental que prejudica o juízo crítico, a memória e a execução de movimentos motores precisos. Todos esses efeitos podem evoluir para um estado de abalos musculares ou convulsões acima de 5.400m e culminar num estado de coma, em pessoas não-aclimatadas, acima de 7.000 m.
A pessoa não-aclimatada pode normalmente permanecer consciente até que a saturação arterial de oxigênio caia para 40 a 50% (ao nível do mar é de cerca de 97%). O teto para um montanhista respirando ar é de aproximadamente 7.000 m, e de cerca de 14.000m respirando oxigênio, desde que o equipamento que supre o
oxigênio funcione perfeitamente.
1. grande aumento na
freqüência respiratória e cardíaca
Podemos separar as doenças provocadas pela altitude em dois grupos, de acordo com seus sintomas e sua gravidade. LEVE A MODERADO: Doença Aguda das Montanhas (DAM).
Os sintomas iniciam-se de 6 até 48 horas após ascensão em altitudes superiores a 2500m; normalmente melhoram entre 36 a 72 horas , se não ocorrer mais ascensão. Não é possível predizer quem e quando irá sofrer DAM , bem como sua gravidade . Quem já sofreu DAM uma vez está mais susceptível a tê-la novamente. Boa capacidade física não é garantia de proteção.
A prevenção consiste em dispor de um tempo suficiente para aclimatação nos vários níveis de altitude. Isto porque tende a acometer pessoas que ascendem muito alto, rápido e principalmente que não estão aclimatadas. A presença de outros fatores como o frio e vento, medo, cansaço, desidratação e infecções respiratórias facilitam a ocorrência de DAM. Deve-se ingerir diariamente de 4 a 5 litros de líquidos ou o suficiente para produzir uma urina clara e volumosa. Também é importante uma alimentação com elevado nível de calorias (principalmente a base de
carboidratos). O álcool e sedativos atrapalham a respiração e agravam os sintomas durante o sono.
O agravamento dos sinais e sintomas da DAM pode significar o início de quadros graves como Edema Pulmonar e Cerebral. Infelizmente estes podem surgir rapidamente, geralmente à noite, período em que descer se torna mais difícil e perigoso. Portanto é prudente descer o mais rápido possível quando sintomas da DAM persistem ou pioram.
Decorre supostamente da dilatação local dos vasos sanguíneos cerebrais, causada pela hipoxia. Essa dilatação faz com que haja vazamento de líquido para os tecidos cerebrais. O edema cerebral pode levar, então, a grave desorientação e a outros efeitos relacionados ao mal funcionamento cerebral. Normalmente ocorre acima de 4000m. Pode ser acompanhado de edema pulmonar agudo e levar a morte rapidamente
Sua causa ainda não é conhecida, mas a resposta sugerida é a seguinte: a grave hipoxia faz com que os alguns vasos pulmonares se contraiam fortemente de modo que volume cada vez maior de sangue que chega a algumas áreas dos pulmões. Devido ao aumento da pressão, ocorre um edema local. Este processo estende-se para áreas cada vez maiores dos pulmões levando a uma grave disfunção pulmonar que pode ser letal. Contudo, fazer a pessoa respirar oxigênio geralmente reverte o processo em algumas horas. Edema agudo de pulmão geralmente ocorre acima dos 3000m, geralmente entre 36 a 72 horas após a chegada a esta altitude.
Algumas pessoas têm extrema reatividade vascular pulmonar à hipoxia, muitas vezes maior que a reatividade de pessoas normais; essas pessoas são particularmente susceptíveis ao edema pulmonar agudo das grandes altitudes.
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