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por Rodrigo Telles (junho/2010)
Foi-se o tempo em que para fazer uma viagem de bicicleta o cicloturista tinha que amarrar com elásticos as bolsas no seu bagageiro ou até carregar mochila nas costas. Alforjes e bolsas apropriadas para cicloturismo eram difíceis de se achar no Brasil antigamente. Nós inclusive, começamos a fabricar alforjes pela dificuldade de encontrarmos esse produto no Brasil. Hoje, já não são itens tão raros assim. Mas os bagageiros ainda são um obstáculo em algumas situações. É o caso, por exemplo, do bagageiro dianteiro ou de um bom bagageiro traseiro. Em primeiro lugar, existe a pergunta: Alumínio ou Ferro? E a resposta para essa pergunta é inevitavelmente outra pergunta: Qual será a utilização do bagageiro? Vamos lá. O alumínio é um metal obviamente mais leve que o ferro. Porém durante muitos anos nos habituamos a ver bagageiros de alumínio quebrados por aí. Isso porque em geral, eles são projetados para uma carga máxima relativamente pequena como 18 ou 20kg, por exemplo.
Muitos cicloturistas carregam mais peso do que isto em viagens com acampamento. E além da questão do peso, existe a questão da resistência aos impactos e trepidação. Em grande parte das vezes que vimos bagageiros de alumínio quebrados foi em situações como quedas ou trilhas esburacadas, mesmo com pouca carga. E o pior é que às vezes é uma queda boba daquelas em que a bicicleta está apoiada no descanso e cai sozinha ou que o ciclista não consegue desengatar o pé do pedal e cai parado. Além disso, uma quebra por trepidação pode gerar uma situação potencialmente perigosa, por exemplo, numa descida rápida, onde a trepidação ocorre com muita intensidade. Então, a primeira recomendação ao se usar bagageiros de alumínio, é manter a carga bem abaixo do limite estipulado. Se você faz viagens com pouca carga em roteiros com diversos pontos de apoio no caminho, consideramos que o alumínio pode ser uma boa opção. Mas, acreditamos que em algum momento esses bagageiros vão melhorar assim como aconteceu com os quadros de alumínio. Hoje já estão entrando no país alguns bagageiros de alumínio com aparência um pouco mais forte, porém ainda não estão há tempo suficiente para termos uma opinião formada.
Com relação ao ferro, como qualquer material, também está sujeito a quebrar, mas
temos visto menos bagageiros de ferro com problemas. E no caso de um bagageiro
de ferro quebrado, em geral pode ser resolvido facilmente em qualquer núcleo
urbano, seja uma pequena cidade ou até uma fazenda bem equipada. Assim, em geral
para quem vai fazer expedições maiores com mais peso, e para lugares com menos
estrutura temos recomendado este material. O ferro tem ainda uma grande
vantagem: pode ser facilmente manipulado para fazer adaptações para cada caso.
Como existem inúmeros tipos de quadros e infelizmente não existe muita
padronização no mercado, muitas vezes a melhor solução é um bagageiro sob medida
para sua bicicleta.
A grande premissa é evitar fixar o bagageiro nos blocantes, principalmente no eixo da roda. Em caso de ter de tirar a roda você acaba sendo obrigado a desmontar tudo, bagageiro, alforjes e etc. Por isso, na hora de comprar uma bicicleta, se puder opte sempre por um quadro que tenha os olhais (orifício com rosca) próprios para parafusar bagageiro. Mas se seu quadro não tem os tais olhais, não se desespere porque você pode resolver de outra maneira: abraçadeiras. Algumas pessoas não gostam muito dessa solução pois dão uma cara de solução provisória para o problema. Mas o fato é que se você fizer um trabalho bom, muito provavelmente não vai ter dor de cabeça com isso. Nós já rodamos anos seguidos com bagageiros dianteiros presos ao garfo por abraçadeiras. Nesse tempo todo carregamos abraçadeiras reserva, mas felizmente não foram necessárias. Parece que o segredo neste caso é distribuir bem o peso, usando mais pontos de apoio no quadro ou no garfo. E só pelo fato de a roda sair livremente sem ter que tirar o bagageiro já compensa. Se realmente você se interessou pelo assunto e está pensando em projetar seu próprio bagageiro, pense em instalar nele também um cotovelo traseiro que tem a função de impedir que seu alforje entre na roda. Bagageiros próprios para cicloturismo já vêm com esta solução de fábrica.
Sobre bagageiros dianteiros, que praticamente não existem no país, nossa opinião é a seguinte. Não gostamos muito de usar bagageiros baixos demais. Alguns modelos encontrados no exterior que são projetados prioritariamente para o asfalto tendem a deixar o centro de gravidade mais baixo colocando o alforje dianteiro no centro da roda. Porém, para situação de trilhas e estradas de terra com mais obstáculos, isso pode ser perigoso, pois o alforje pode bater ou até enroscar em alguma pedra ou galho no chão. Em algumas situações pode até bater numa guia e gerar um acidente. Então a solução que usamos é parecida com o alforje traseiro.
Partimos do mesmo tipo de bagageiro para adaptá-lo na dianteira. Além da vantagem dos alforjes não ficarem tão baixos, você ainda pode aproveitar o espaço de cima do bagageiro para prender alguma bagagem, por exemplo um saco de dormir. Aqui também, para cada tipo de suspensão ou garfo tem-se que bolar a solução. Quando há os olhais, procure usá-lo e quando não há, procure utilizar quatro pontos de apoio nas canelas e um no arco superior (ilustração). Algumas pessoas nos perguntam se não existe prejuízo para a
suspensão em instalar um bagageiro nela. Realmente suspensões não foram
projetadas para receber esse tipo de carga, por isso quem instala um bagageiro
dianteiro nela deve estar ciente disso e assumir possíveis riscos. Nós temos
usado esse sistema em várias viagens e até hoje não tivemos nenhum problema. É
claro que sempre é importante optar por uma suspensão de boa qualidade, e neste
caso ainda mais.
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