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Chimarrão na Caramanhola: Viagem pelas Serras Catarinense e Gaúcha

Em 13 de julho de 2003, iniciei a minha gélida viagem de bicicleta pelas estradas das serras Catarinense e Gaúcha, passando por lugares que nunca estivera antes e desfrutando o melhor que a região sul do Brasil tem para oferecer.

Serra do Corvo Branco - Urubici

Lages - A viagem começa em Lages, estado de Santa Catarina, seguindo pela SC-438. Logo no início senti que conseguiria manter ritmo bom, mesmo com o peso da bagagem que levava na bicicleta.

O maior diferencial para mim foi o frio, cerca de cinco graus positivos, cumulado com o forte vento que soprava (o que me obrigou a vestir quase todas as roupas que trazia nos alforjes). Nunca usei tanta roupa para pedalar. Chegando na localidade de Painel, parti logo para Urupema, objetivo final do dia, dando início a uma escalada suave e prazerosa pela deserta Rodovia das Araucárias.

Morro da Igreja - Urubici

A estrada, concluída recentemente, é muito bonita e com altas paisagens da árvore símbolo da região. Ao mesmo tempo em que o sol se punha no horizonte, o frio caiu para três graus e a sensação térmica provocada pelo forte vento baixou esse valor para patamares negativos, o que pude sentir quando pegava vento contra principalmente em momentos de declives.

Cheguei em Urupema depois de pedalar um total de 54km. Trata-se de uma localidade muito simples a 1.425 metros de altitude, um dos lugares onde são registradas as temperaturas mais baixas do Brasil.

Urubici - No dia seguinte, o tempo deu uma virada brusca amanhecendo chuvoso e com a elevação da temperatura para uma média de 11°C. Como não havia previsão de mudança para os próximos dias, fui obrigado a pegar um ônibus até Urubici, próximo objetivo da viagem, para evitar um atraso maior no cronograma.

Cachoeira do Avencal - Urubici

Esse trecho não pedalado, apesar da pouca visibilidade, me pareceu ser muito legal com uma estrada de terra batida e predominância de declives, não muito difícil de ser feita de bicicleta. Realmente vai ficar para a próxima vez. Urubici é uma cidade simples, com uma avenida principal onde tudo fica relativamente próximo. Trata-se de um lugar onde se encontram os melhores pontos turísticos da Serra Catarinense, o que me rendeu três dias de pedal, além do tempo extra que fiquei até melhorar o tempo chuvoso. Passei pela Serra do Corvo Branco, numa estrada incrível que possui as curvas das mais fechadas possíveis e uma fenda no meio da serra, que foi cortada à base de picareta e dinamite. Conheci também o Morro da Igreja, situado na área do Parque Nacional de São Joaquim e considerado o ponto culminante da região sul do Brasil, com 1.828 metros de altitude.

Aqui neva constantemente todo inverno, além de ser o lugar onde foi registrada a temperatura mais baixa do Brasil (-17°C). Por fim, a cachoeira do Avencal, com uma incrível queda de 100 metros. Realmente um lugar incrível que merece muitos dias para desfrutá-lo.

Serra do Rio do Rastro - Partindo de Urubici, pedalei 84km até Bom Jardim da Serra pela SC-430 e posteriormente pela SC-438. Com fortes subidas no início da pedalada, procurei manter o ritmo mais lento e usei as marchas mais leves possíveis para não me desgastar no meio da escalada. A segunda metade da pedalada foi mais tranqüila com predominância de declives fortes e poucas subidas pesadas. No dia seguinte, o destino era descer a sinuosa e emocionante Serra do Rio do Rastro até a cidade de Lauro Müller, distante 33km, e depois voltar de ônibus pela mesma estrada até Bom Jardim da Serra. Foi muito divertido descer a serra mesmo parando várias vezes para curtir a paisagem através dos inúmeros mirantes que a estrada possui.

Serra do Rio do Rastro - Lauro Müller

Frio - Para o próximo dia, resolvi descansar a bicicleta e parti para São José dos Ausentes, Rio Grande do Sul, na carona de um caminhão de uma madeireira. A estrada de cascalho e de péssima conservação começa em Bom Jardim da Serra e não está registrada no mapa da Quatro Rodas, porém é de fácil localização.

Estrada para Cambará do Sul

Apesar do breu absoluto, o farol alto do caminhão comprovou que realmente seria terrível fazer aquilo com os alforjes cheios e tudo mais que levava na bicicleta, considerando a interminável distância de 90km.

Depois de três horas na estrada, foi incrível a mudança de temperatura de um lugar para outro. Estava muito frio em São José dos Ausentes e não dava para ficar na rua já que não trazia muita roupa no corpo. Não sei ao certo quantos graus estava, pois o termômetro estava escondido em algum lugar dos alforjes que não encontrava, mas deveria ser algo perto de zero grau.

Estrada para Cambará do Sul

Após esperar a temperatura subir um pouco, dei algumas voltas na cidade e caí na estrada para mais um dia de pedal, já em terras gaúchas. Logo nos primeiros quilômetros o clima mudou repentinamente. Como se estivesse entrando num ecossistema à parte, o sol sumiu e de longe vi uma forte cerração vindo de encontro. Acabei pegando um pouco de garoa no caminho, mas nada que encharcasse as coisas.

Até onde a cerração permitia, vi que era uma estrada bonita, com grandes campos típicos da região, e muitas fazendas de gado e ovelhas. Na verdade, tudo era muito interessante e eu estava curtindo bem a viagem, pois era uma situação diferente, que não estava acostumado e em um lugar que nunca estivera antes. Era tudo o que mais queria.

Parques Nacionais - Depois de pedalar 55km cheguei em Cambará do Sul, cidade que serve de base para a visitação dos Parques Nacionais da Serra Geral e Aparados da Serra onde se encontram os cânions Fortaleza e Itaimbezinho, respectivamente.

Cânion Itaimbezinho - Parque Nacional Aparados da Serra

Foram dois dias exclusivos para curtir as belezas dos dois parques. Para quem nunca viu uma formação como um cânion, fiquei impressionado pela imponência e grandiosidade de suas profundas paredes cortadas com perfeita precisão.

Mais uma vez, tentando por o cronograma da viagem em dia, peguei um ônibus até São Francisco de Paula e pedalei no mesmo dia pela RS - 476 até Canela.

O caminho não é muito puxado, com pouco do sobe e desce característico da região.

Porém, na metade do caminho peguei outra vez uma cerração que vinha no sentido contrário, mas que permitia visualizar bem o acostamento. Canela é bem aconchegante, porém já destoa dos lugares mais simples por onde passei, com restaurantes e hotéis mais caros.

O dia seguinte foi exclusivo para conhecer o Parque Estadual do Caracol, com sua bela cachoeira de mesmo nome e trilhas bem demarcadas. Por incrível que pareça fez muito calor durante o dia, só para contrariar as minhas expectativas para a viagem.

Gramado - Depois de conhecer Canela parti em direção a cidade do cinema, Gramado. A distância de 8km entre as duas cidades tem inúmeros restaurantes, hotéis e lojas e fazem com que a estrada se pareça o mais urbana possível, tornando imperceptível a chegada em Gramado.

Estar em Gramado em pleno domingo de temporada foi um verdadeiro choque cultural, com os vários carros querendo passar por cima de mim, calçadas intransitáveis, inúmeros hotéis, lojas e restaurantes sofisticados. Realmente nada a ver com o contexto da viagem, mas valeu a pena para conhecer a cidade.

O ideal era conhecer uma parte mais interessante e afastada do centro com várias vilas de colonos, porém o meu tempo e dinheiro já estavam esgotados. O dia seguinte seria o último da minha viagem, partindo de ônibus até Caxias do Sul e depois para São Paulo.

Camping em Canela

Depois de 18 dias na estrada e percorridos 505km só de bicicleta, a viagem saiu melhor que minhas expectativas e tudo ocorreu da forma mais tranqüila possível. Os lugares são maravilhosos e o povo foi o mais receptivo e atencioso que já conheci no Brasil. A sensação que ficou foi o desejo de repetir a viagem mais uma vez, e espero fazê-la em breve e ainda melhor.

 


Jorge Blanquer Rodrigues, advogado, iniciou no cicloturismo em 1997. Pedalou de Curitiba até a Ilha de Florianópolis via litoral. Realizou o roteiro de Cunha à Paraty, além de inúmeras viagens pelo trecho paulista da Serra do Mar, interior do Estado e Estrada Velha de Santos.