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Roberto Rocha |
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Namaste, pra todos!! Em parte por ser baixa temporada - época das chuvas - mas principalmente pelos últimos problemas políticos, os turistas não querem dar as caras aqui pelos
Himalayas.
Ao todo, foram 900km em 14 dias, com apenas 150km de asfalto, por vales entre 3.500 e 4.500m de altitude - no Tibete - cruzando seis passos acima de 5.000m. Do último passo até Kathmandu é um longo down hill de mais de 150km, baixando-se mais de 4.000m. Ver mapa. Deixei Lhasa após uma aventura pra "resgatar" minha câmera nova, que havia perdido numa visita ao monastério Ganden, a 30km de Lhasa. Os dois caras que haviam-na encontrado queriam US$100 pra me devolvê-la. Tive que fugir correndo e descer 500m de montanha até a estrada pra Lhasa, com os caras me perseguindo e fiquei dois dias com as pernas doloridas de tanto correr.
O caminho a Gyantse e Shigatse foi razoavelmente tranqüilo com apenas um passo difícil - o Kamba-la, 4.800m - com estrada ruim e sol muito forte, mas com uma grande recompensa: a vista do lago Yandrok, um dos lagos sagrados do Tibete. O passo de Karo - 5.050m - foi bem mais fácil, com belíssimos glaciares no topo. A descida foi primeiro por uma garganta fechada que se abria em um vasto vale, onde pude ver, de muito longe, as tradicionais caravanas de yaques.
Em Gyantse e Shigatse, belíssimos monastérios, em especial o Tashilumpu, em Shigatse. Dali pra frente, a estrada ficou muito mais difícil. Já estava sentindo o efeito da poeira acumulada nos pulmões o que, aliado à altitude - acima de 4.500m - dificultava muito a respiração. Os 25km de subida do Gyantso, passo mais alto de toda a rota, 5.250m, foram extremamente duros e tive que empurrar a bike nos 15km finais, o que levou nada mais nada menos que 6 horas.
Do topo, desci para o último vale e encontrei um casal holandês, também em bike e também sofrendo com a altitude e a poeira. O vale do Tingri é belíssimo e é onde se avista, pela primeira vez, os Himalayas - em particular o Shisha Pangma (8.015m), o Cho Oyu (8.150m), o Makalu (8.475m) e o mais alto do mundo, o Qomolangma (8.850m), mais conhecido no ocidente como Everest, nome do cara que primeiro mediu a altitude exata da montanha.
Infelizmente, por falta de tempo - o meu visto estava pra acabar - não tive tempo de fazer o trekking até o monastério Rongphu, que fica na base do Qomolangma e oferece uma vista simplesmente "superb" da face norte da montanha. É um trekking que partindo de Tingri, leva uns 6 a 7 dias e só tinha 4 dias pra chegar à fronteira. Mas não tem nada, não! Ele vai estar lá por mais alguns milhões de anos, de modo que vou ter tempo suficiente pra vê-lo.
Atravessei o vale e iniciei a subida ao último passo - na verdade um passo duplo: o Lalung-la e o Tong-la, a 5.150m. Os Himalayas fornecem uma ótima barreira contra a umidade que vem do sul (Índia) - dai o Tibete ser tão seco - mas não pro vento! E assim que a estrada aponta pra sul, começa um vento contra e frio terrível, fazendo as subidas dos ultimo(s) passo(s) bem desconfortável.
A essa altura, eu já estava meio "baleado" por todas as dificuldades do Tibete e não via a hora de descer pro Nepal. Dormi minha última noite - muito fria - entre os passos e a manhã despontou belíssima, com um visual espetacular da cadeia de montanhas mais alta do mundo. Completamente solitário no silêncio do Tong-la, me despedi do
Tibete, já cansado de toda a dureza que é viajar por lá, mas completamente satisfeito por ter realizado um antigo sonho...
Dali, iniciei a longa descida. São mais ou menos 150km de descida do Tong-la até onde a estrada deixa o vale do Bothekosi - aproximadamente 800m de altitude - uma "senhora" baixada de mais de 4.000m. Os primeiros 20km foram íngremes e foi só deixar a bike ir, controlando os freios, é claro. Depois veio um trecho mais plano e o vento contra fez a pedalada muito difícil, até a vila de Nyalam, a 55km do passo. Até aí, a paisagem ainda é tibetana, mas de Nyalam pra baixo, tudo muda. A estrada passa a seguir o rio Bothekosi, o vale vai estreitando, as árvores e a umidade vão aparecendo e o vento vai diminuindo.
De repente, estava numa zona tropical muito úmida, com inúmeras cachoeiras e estrada péssima. A 90 km do passo, cheguei a Zhongmu, a última cidade antes da fronteira, onde dormi. Última chance pra comida chinesa e pra trocar o que resta de yuan - a moeda chinesa - pra dólar.
Namaste!!!!, é o cumprimento nepales, como o indiano. E dá-lhe incenso, música indiana e caminhões Tata. Ali comi o primeiro Dhal Bhat em dois anos - arroz e ensopado de lentilha e legumes - o sabor da Índia!!!
Segui descendo em uma atmosfera completamente diferente do dia anterior e, quando a estrada deixa o vale do Bothekosi, estou a 55km de Kathmandu. Dali na carroceria de um caminhão sigo à capital do Nepal, a velha e boa Kathmandu pra descansar e me preparar pra grande festa do penta. E foi uma "extravaganza"!!! Tomei 5 garrafas de Carlsberg, porque não havia Antártica...
Só faltou a feijoada, então fui de pizza. Foi uma completa extravagância que não será repetida nos próximos 4 anos.
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o projeto - outros destaques