Por Vitor Pereira - Dez/95 a Fev/96
SEM
DESTINO
De
São Paulo a Salvador
Havia
me formado em Educação Física há um ano e desde então juntava uma grana
para realizar uma grande viagem. Queria aprender mais sobre a vida, conhecer
novas realidades e fazer novos amigos.
Quanto
à minha carreira profissional, família e namoro, teria muito tempo para pensar
depois. Tinha que viver minha juventude!
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A
idéia era partir sem destino e sem tempo pré-fixados, como no clássico filme Easy
Rider, onde dois motoqueiros viajam pelos desertos da Califórnia no final
da década de sessenta. |
Ela era uma montain bike Specialized de 21 marchas (Shimano Altus) e carregada, realmente parecia uma mula de carga.
A
escolha de viajar de bike não foi por acaso. Já era adepto do cicloturismo há
algum tempo e queria me sentir mais próximo da natureza, das culturas e conseqüentemente
das pessoas que eu encontrasse pelo caminho.
A
grana que conseguira juntar, certamente era pouca para as minhas pretenções de
viajar por tempo indeterminado, mas tudo bem, quando ela acabasse eu daria um
jeito de me virar.
Parti
de São Paulo, atravessando a cidade com a adrenalina correndo solta nas veias e
em pouco tempo já estava na Rodovia dos Bandeirantes, rumo a Campinas.
Campinas, Atibaia, São José dos Campos e ahh!!...
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Depois de alguns dias, finalmente o
litoral! De Caraguá, peguei a Rio-Santos e fui curtindo os mais lindos visuais
e recortes do nosso Litoral Norte. Escolhi as pequenas estradas e caminhos,
muitas vezes de terra, para desfrutar ao máximo os visuais e a tranquilidade de
pedalar, permanecendo o mais próximo da costa que pudesse. |
Rumei
para o Norte, passando as festividades de Natal e Ano Novo com minha família no
Rio de Janeiro.
| Em
janeiro, continuei a longa jornada, agora acompanhado por uma turma de mais
quatro ciclistas. Passamos por Saquarema, Araruama, Cabo Frio, Búzios e Campos,
serpenteando as cidades litorâneas do norte do Estado do Rio, até a divisa com
o Espírito Santo. |
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Divertia-me
bastante com meus amigos e a viagem tornou-se mais comunitária e comunicativa.
Em
Vitória, o odômetro (medidor de distância) acoplado na Mula marcava mais de 1.200 quilômetros desde a minha saída de São
Paulo.
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Procurávamos
dormir nos mais variados lugares para não gastar dinheiro com hospedagem. Além
de acamparmos com nossas barracas, igrejas, delegacias, sítios e postos de
gasolina transformaram-se em ótimos refúgios para pernoitar. |
Quanto
à alimentação, o melhor "combustível" era a comida local, ou seja,
o famoso P.F. (prato feito). Em cada lugar, experimentávamos os pratos típicos
da região, descobrindo novos sabores.
Em
Itaúnas, norte do Espírito Santo, o grupo se desfez e eu continuei viajando
com somente um companheiro. Cruzamos a divisa com a Bahia pedalando pela areia
da praia como fazíamos sempre que a maré secava. Nestas condições, a superfície
torna-se tão dura como asfalto.
| Voltei a viajar só, a partir de Porto Seguro. Meu amigo voltou para casa enquanto eu segui, subindo a costa baiana. Foram muitas praias, caminhos de terra e vilarejos a cruzar na Bahia, conhecendo as pessoas simples e hospitaleiras que vivem por lá. O povo brasileiro em geral é bastante solidário. | ![]() |
Pude comprovar
isso diversas vezes em que me ofereceram um local para pousar ou uma comida
quente no final de um dia de pedaladas.
O
espírito da viagem era esse mesmo, ir devagar conhecendo as pessoas e suas
culturas diferentes.
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A
beleza natural então, nem se fala. Eram praias de um azul claro incrível.
Fazendas, montanhas, florestas e trilhas completavam o cenário do meu dia a
dia. |
Em
Ilhéus fiquei mais tempo. Conheci uma outra turma de ciclistas e passei uma
semana fazendo trilhas e passeios pela região, sempre guiado pelos amigos
baianos.
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Após
mais alguns dias de estradas, cheguei finalmente a Salvador, a capital do Axé,
completando mais de 2.500 quilômetros em 54 dias. Apaixonei-me
por Salvador, uma cidade fantástica. Seu povo, suas praias, suas igrejas e
principalmente seu Carnaval, me enfeitiçaram. Foi
onde estacionei a Mula e não saí
mais, passando um mês descobrindo seus encantos. Talvez os dias mais intensos
que vivi até hoje. |
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Uma coisa eu tenho certeza, o Brasil não é apenas um país. São vários!
A
descrição de todas as experiências e emoções desta viagem estão no livro
(não publicado) de Vitor Pereira. Para ler baixe este arquivo:
Ao Sabor do
Vento.pdf (200K)