Por
Victor Pereira - Jan/01
LAGAMAR
Atravessando
Parques Naturais
Estava
um pouco nervoso pois era a primeira vez que a Gabi pedalaria comigo numa longa
viagem e eu não sabia ao certo se ela iria gostar, mas como sua vontade de se
aventurar era grande e a iniciativa tinha vindo dela, fiquei tranquilo e
relaxei, afinal quem sai na chuva é prá se molhar!
A
idéia inicial da viagem era sair pedalando da cidade de São Paulo com destino
ao litoral sul do estado, porém as nossas férias limitadas, a “dificuldade
burocrática” de descer a serra pelas rodovias e o fato de já ter feito o
percurso até Peruíbe anteriormente, nos fez decidir ir de ônibus até esta
cidade.
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Na realidade é a partir daí que está o “filet mignhon”, onde a natureza ainda está preservada e protegida por unidades de conservação. |
Cercado de Mata Atlântica, praias, mangues e cachoeiras, a região sudeste do Estado de São Paulo e nordeste do Paraná abrange cinco unidades de conservação, reunidas em uma das maiores extensões de Mata Atlântica contínua do país.
| No primeiro dia saímos pedalando de Peruíbe com destino a Pedro de Toledo, pequena cidade que dá nome a um dos núcleos do extenso Parque Estadual da Serra do Mar e que possui 75% do seu território ocupado pela Mata Atlântica. | ![]() |
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Resolvemos
ficar por alí um dia para conhecer melhor o lugar e acabamos encontrando
o secretário de meio ambiente da prefeitura, Iberê, que nos recebeu
muito bem e nos levou a algumas cachoeiras como a dos Metralhas.
Saindo de Pedro de Toledo em direção à Iguape, pegaríamos a Estrada do Despraiado, um caminho de terra que cruza a Estação Ecológica Juréia-Itatins pela Serra do Divisor e tem um visual incrível. |
Passamos
por fazendas, rios, cachoeiras e pudemos ver o Maciço do Itatins com o
imponente Dedo de Deus ao fundo.
| Segundo amigos que nos indicaram a estrada, esta é uma ótima opção de roteiro de cicloturismo para quem quer uma viagem de fim de semana, com a possibilidade de até ficar uma noite no Despraiado e subir o Itatins no dia seguinte. | ![]() |
Para
chegar em Iguape, pedalamos mais cerca de 50Km por asfalto sem muito movimento.
Iguape
é um dos primeiros municípios do Brasil e guarda no seu centro histórico, o
maior acervo de construções tombadas do Estado de São Paulo.
Conhecemos
a cidade e resolvemos no mesmo dia atravessar na balsa para a Ilha Comprida,
mais tranquila e com boas áreas de camping.
Rio,
sol e mar
A partir daí estávamos entrando na região do Lagamar, como é chamado o trecho que vai do sul de Iguape até o Estado do Paraná.
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É considerado o terceiro maior complexo lagunar-estuarino e com um dos cinco ecossistemas costeiros mais notáveis sobre a face da terra, a região guarda uma diversidade de fauna e flora inigualável. |
A
Ilha Comprida também é uma Área de Proteção Ambiental (APA) e possui 74
quilômetros de praias.
Pedalamos
pela areia da praia, que na maré
baixa, mais parece um asfalto novinho, tanto é que até a linha de ônibus
urbano usa a areia para atravessar a ilha.
| Mais um dia de pedaladas e chegamos em Cananéia. Neste município ficamos encantados com as casas coloniais e a igreja dos séculos XVI e XVII. Todas as construções daquela época eram feitas com Berbigão, uma espécie de massa feita de óleo de baleia, conchas moídas e areia de praia, e que dava uma consistência muito resistente. | ![]() |
É
de Cananéia que se pega um outro barco até o Parque Estadual da Ilha do
Cardoso com 90% dos seus 140Km quadrados cobertos por Mata Atlântica. Um lugar
fantástico!
Na
ilha, fizemos vários trekkings até as cachoeiras, praias e mangues da região
e ainda tivemos a sorte de apreciar um pôr-do-sol magnífico.
A
restinga ao sul da comunidade do Marujá na Ilha do Cardoso, possui 18Km e no
final dela encontramos a Barra do Ararapira, que é a divisa natural dos estados
de São Paulo e do Paraná. É um dos lugares mais selvagens que conheci na região
Sudeste do Brasil!
Continuamos
a pedalar pela praia após cruzar numa canoa, para o outro lado, onde começa o
Parque Nacional do Superagüi, já no Paraná.
O
Superagüi é um santuário ecológico que em 1991 recebeu da UNESCO o cobiçado
titulo de Reserva da Biosfera.
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Pedalamos
mais 40Km pela praia que continuava deserta, sem nenhum ser humano, só
gaivotas, gaviões, golfinhos e siris. A parte sul da Ilha fica dentro da Bahia de Paranaguá e de frente para a Ilha das Peças e a Ilha do Mel. |
Ficamos
mais uma noite hospedados numa pequena pousada na vila do Superagüi.
Na
vila fica um posto do IBAMA e pode-se conseguir informações sobre as trilhas,
as aldeias indígenas dos Guarani, a avistagem dos papagaios Chauás, entre
outros programas para se fazer além de descansar naquele paraíso.
Atravessamos
de voadeira para a Ilha das Peças, onde pedalamos nossos últimos 13Km da
viagem antes de pegar a balsa que nos levou de volta para a civilização na
cidade de Paranaguá.
Fomos
abençoados todo o tempo por ótimos dias ensolarados e vento a favor, além das
“coincidências” que acontecem com todos os viajantes e que fazem das
roubadas, grandes estórias.
No
fundo, eu sabia que a Gabi também ia se contaminar com o vírus de viajar de
bicicleta, mas eu não imaginava que antes de colocar a bike no ônibus que nos
levaria de volta para casa ela diria:
-
Victor, eu tava pensando .... será que em julho vai nevar nas Serras Gaúchas?
Projeto
Lagamar
O
cicloturismo é uma forma diferente de viajar. É uma mistura de esporte,
aventura e turismo, onde o viajante entra num ritmo diferente das viagens de
carro, ônibus, trem ou avião. O tempo não importa, o que vale é curtir o
caminho e não somente o destino que se quer chegar.
Este
ritmo, geralmente mais lento, que a bicicleta leva o viajante, lhe proporciona
interagir com as pessoas, paisagens e culturas diferentes por onde quer que ele
passe.
O
objetivo do Projeto Lagamar, assim como outras viagens de bicicleta realizadas
anteriormente, foi descobrir lugares com grande potencial ecoturistico e
cultural, além é claro, do prazer e a liberdade que isto nos proporciona.
Desenvolvemos
um roteiro de cicloturismo e caminhadas incluindo um levantamento de estradas,
trilhas, praias, pousadas, campings, restaurantes, centros culturais, artesanato
e a prática de outros esportes de ação nas regiões por onde passamos.
Desta
forma, conhecemos também um Brasil diferente, simples, porém rico em belezas
naturais e culturais, onde seu povo hospitaleiro, muitas vezes foi o
determinante para o sucesso das viagens.
AO
SABOR DO VENTO por Vitor Pereira
Livro (não publicado) sobre a viagem de bicicleta pelo litoral, saindo de São
Paulo até Salvador. Todas as emoções, dificuldades e prazeres que representam
a liberdade de viajar livremente de bicileta. (36 páginas)
Download
de Ao Sabor do Vento.pdf (200K)