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Por Daniel de Granville, Guto Bertagnolli e Tietta Pivatto DA ILHA DO CAJU (MA) A SÃO LUÍS (MA)
- e as nossas casinhas...
A falta de orientação para o desenvolvimento turístico criou uma mentalidade de se omitir informações para "segurar" o visitante em determinadas localidades, e nesta região encontramos os passeios mais caros de todo o Nordeste!
Nosso ponto de partida foi a cidade de Tutóia, de onde pegamos uma Toyota até o Rio Novo. Neste trecho, pudemos observar mudanças significativas na paisagem, com a presença das enormes palmeiras buriti acompanhando o leito dos riachos. Estando na região, não deixe de visitar as dunas e lagoas que separam Rio Novo do mar. A partir deste ponto, voltamos a pedalar pela praia por 18 quilômetros até chegar em Caburé, uma vila sazonal de pescadores às margens do rio Preguiças, já na divisa do Parque Nacional. De lá partem barcos para as vilas de Mandacaru (com um farol aberto à visitação, de onde se tem uma linda vista panorâmica) e dos Atins, a primeira entrada do Parque. Nosso programa mais interessante foi a subida do rio Preguiças até a cidade de Barreirinhas (principal entrada para o Parque) no barco de linha, único meio de transporte para os moradores locais. Numa viagem de 3½ horas é possível observar belas dunas, pequenas comunidades de pescadores, manguezais com árvores de até 20 metros e uma incrível diversidade de aves e palmeiras, sem falar da rara oportunidade de contato com o povo da região.
Foi quando do nada surgiu uma Toyota indo no mesmo sentido que nós (oba, carona!!). Acredite se quiser (pois nem nós acreditávamos): uma das passageiras era, uma amiga curitibana que havíamos conhecido no Pantanal três anos antes, e que não teve como escapar de nos resgatar... Ah, a lagoa era mesmo azul !
Tentamos fazer uma via alternativa contornando o Parque Nacional pela praia, para chegar na Ilha de São Luís de barco pelo leste.
Tivemos que seguir o plano original e após 63 quilômetros de pedal chegamos finalmente à "Ilha do Amor", como São Luís é conhecida localmente. Mas não pense que foi fácil... A estrada até que colaborou (apesar de não ter acostamento, o asfalto era liso e sem ladeiras), mas parece que as bicicletas perceberam que era o último trecho, e se amotinaram!! Em menos de 30 quilômetros, um pneu rasgou, duas câmaras de ar furaram, um movimento central estourou e as catracas e correntes não respondiam mais. Parecia piada, mas chegamos lá - aos trancos e barrancos!
Os prédios centenários do centro antigo dão um charme todo especial ao lugar, bem como sua riqueza cultural que difere totalmente do que havíamos visto até então nos outros Estados do Nordeste. Boi-bumbá, Dança do Cacuriá, Tambores de Mina e de Crioula e arroz de cuxá são algumas das tradições que pudemos vivenciar por lá. Um resumo disto tudo pode ser visto no Museu de Cultura Popular Domingos Vieira Filho. O mesmo ocorre nas vizinhas cidades de Alcântara (uma imperdível viagem no tempo!) e São José de Ribamar. E o Reggae? Pois é, ainda que sofra um certo preconceito por parte da população, rola mesmo por lá! Seja nas
"radiolas" (gigantescos paredões de caixas de som usadas nas festas
regueiras), bares, casas, ruas e até nos ônibus urbanos! Saindo de São Luís do Maranhão foram 46 horas de ônibus até Ribeirão Preto!! Apesar da demora, voltar de ônibus foi interessante, pois pudemos acompanhar as mudanças de paisagem e também da cultura, conforme nos afastamos do mar cruzando os estados de Maranhão, Tocantins, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. Além disto, a longa viagem funcionou como um preparativo para nosso retorno ao caos urbano.
Somos muito gratos a aos nossos familiares e amigos que deram a maior força e apoio! |