|
Por Daniel de Granville, Guto Bertagnolli e Tietta Pivatto DE NATAL (RN) A CANOA QUEBRADA (CE)
Próximo a Natal ainda víamos um pouco de Mata Atlântica, e à medida que virávamos a "esquina" do Brasil em direção a cidade de Touros (RN), esta vegetação deu espaço a formações mais áridas e aos primeiros carnaubais. Quanto mais seguimos rumo ao Ceará, mais o sertão se aproxima do mar, dando um aspecto muito interessante às paisagens, dominadas por altas dunas, extensas falésias coloridas e "mares" de cactos.
Sim, estes animais de uma corcova (quem tem duas é o camelo!) são usados aqui para passear; pena que precisem utilizar focinheiras para evitar que comam o lixo deixado nas dunas pelos turistas e moradores menos educadinhos...Também dá pra andar de buggy (aqui chamados de bugres) ou como foi nossa opção: de SKIBUNDA !!
Mergulhamos em Maracajaú e de lá, partimos para um lugar muito bonito, conhecido como Barra do Punaú, onde acampamos às margens do rio de mesmo nome. Águas cristalinas e caminhadas nas dunas sob a lua cheia. Bucólico. Até começar uma chuva que inundou a barraca do Marquinhos e levou embora o chinelo do Guto... A partir deste ponto, o asfalto ficou para trás e agora todos os caminhos são de "piçarro" (estrada de terra), o que nos levou a diminuir as distâncias percorridas por dia, pois o cansaço era muito maior. O primeiro destino rumo Oeste foi São José de Touros. Fomos ao circo, à nossa única festa de São João (que é comemorada com fogueiras na frente de todas as casas) e a um forró "arretado" na praia. Nos chamou a atenção a forte presença de entidades ecológicas ativas neste trecho, como no caso de Caiçara do Norte e São Bento do Norte, onde num trabalho conjunto com as prefeituras, estão buscando desenvolver turismo de maneira sustentável.
Na verdade era apenas uma das inúmeras salinas da região conhecida como "Costa do Sal", onde é produzido praticamente todo o sal consumido no Brasil e exportado para vários países. Passear numa salina significa ver extensas áreas de água salgada em decantação, de onde o sal, após sete meses, é extraído e armazenado em montanhas de até 20 metros de altura para então ser refinado, iodado e embalado para distribuição.
A região por onde passamos é propícia para essa atividade devido a suas planícies próximas ao mar, muito sol, vento forte e pouca chuva o ano todo. Assim como no Espírito Santo quando nos perdemos no meio de um eucaliptal, desta vez tivemos problemas nos labirintos das salinas. Rodamos por vários quilômetros com o sal devorando as bicicletas e as câmeras fotográficas...
Delas são extraídas as areias coloridas usadas para fazer aquelas garrafas com desenhos, típicas do artesanato local. Também se destaca o trabalho artesanal das rendeiras de "bilro", que fazem lindas peças por aqui.
|