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Por Daniel de Granville, Guto Bertagnolli e Tietta Pivatto DE MACEIÓ (AL) A RECIFE (PE)
Aliás, acabaram em "Passaporte", nome dado regionalmente a uma espécie de cachorro-quente recheado com carne moída, cominho, milho verde, ervilha... realmente uma refeição que nos sustentou até o dia seguinte! Ao longo de suas vidas, as pessoas adquirem as mais diversas vocações. Neste trecho da viagem, conhecemos duas que têm o dom de tratar bem as pessoas - e os animais.
Foi quando apareceu a Cristiana, uma bióloga que morava lá e fazia pesquisa com corais. Cinco minutos de papo, e já nos convidou a ficar em sua casa, "pelo tempo que quiserem". Tivemos que aceitar o convite, claro... Ficamos alojados lá e conhecemos a Iara, sua amiga também bióloga e pesquisadora de corais. Nem precisa dizer o quanto fomos bem recebidos e acomodados por elas, seus 6 cachorros e 8 gatos, durante uma semana da nossa viagem: primeiro em Tamandaré (a praia dos Carneiros é um show!), depois Porto de Galinhas (Maracaípe) e finalmente Boa Viagem (Recife).
Outro fato que nos chamou a atenção foi o nosso guia local, o Felipe, um descolado garoto de nove anos que, ao invés de nos pedir um trocado (como infelizmente a maioria dos garotos fizeram em vários lugares por onde passamos), se preocupou em nos mostrar a cidade sem pedir nada, e acabou ganhando de nós um super "Passaporte".
Revelaram-se paisagens indescritíveis, compostas por falésias, recifes, piscinas naturais, currais de pesca e mar das mais belas tonalidades. Só não ficamos mais tempo apreciando e fotografando esta maravilha devido à preocupação de quem pedala à beira-mar, de ficar atento para não ser pego de surpresa pelas marés, principalmente num lugar com falésias onde não se tem como escapar (as bikes ainda não fizeram curso de alpinismo!).
Fugimos rapidinho para uma comunidade de pescadores, onde o clima era mais tranqüilo e o Guto fez amizade com toda a gurizada local, sendo convidado para um joguinho de futebol de areia na sombra dos coqueirais. Enquanto rolava o jogo, Daniel e Tietta foram batalhar uma água de côco e ganharam nada menos que doze unidades, apanhados na hora por um morador da vila!
Depois de bem hidratados, seguimos atravessando vilarejos "plantados" entre os coqueirais, onde o stress urbano é "tão grande" que as pessoas têm o hábito de levar os colchões para a calçada e ficarem lá deitados, apreciando a vida passar lentamente... Mas como nem tudo é perfeito, ficamos (mal) impressionados com a grande quantidade de pássaros silvestres presos em gaiolas - uma clara demonstração da necessidade de se fazer trabalhos de conscientização nestas comunidades, e do descaso dos órgãos encarregados de fiscalizar este crime ambiental ainda tão praticado em todo o Brasil.
Em Recife, completamos dois meses de viagem. O que mais nos chamou atenção na cidade foram as placas de "proibida a prática do surf" ao longo da praia de Boa Viagem (aquela da música do Alceu Valença), devido à grande ocorrência de ataques de tubarão aos surfistas nos últimos anos (interferência humana???).
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