Por
Fábio Zander - mai/2001
PEDALADA DEL FUEGO
De bicicleta na Terra do fogo
| Existiam
quatro grupos de nativos indígenas na região da Terra do Fogo e me
sentia naquela noite como um Selk´nam, grupo que vivia próximo ao
Estreito de Magalhães, aonde me encontrava naquele momento. Um dos
momentos em que a natureza nos mostra sua força e nos faz sentir
minúsculos, neste enorme e maravilhoso planeta Terra. |
| Estreito de Magalhães - Aproximadamente às 21:30h já acomodado dentro de minha barraca, o vento resolveu mudar de direção e de intensidade, ele vinha do sul, forte e sem dó. Fiquei meia hora segurando as paredes da barraca, estirado torcendo para que o vento mudasse de direção ou que se acalmasse. |
| Doce ilusão,
com a única armação da barraca quase entortando, resolvi sair do meu pequeno
e chacoalhado “mundinho” para tentar mudar de posição a barraca. O
resultado foi que não consegui mais armar o meu “mundinho” devido a força
da natureza, dormindo na estepe patagônica ao relento, enrolado na barraca ao
lado de minha companheira bicicleta, até o dia seguinte, quando acordei com uma
pequena camada de cristais de gelo sobre mim. |
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| Estas
e outras situações foram vividas por mim na Pedalada del Fuego, uma travessia
solitária, com a proximidade do inverno austral, de Comodoro Rivadavia até
Ushuaia, o fim do mundo ou o início, como queiram. A intenção de pedalar
entre o mês de maio e junho, fora de evitar os fortes ventos, mas não contava
com a presença de tanta neve e gelo já no início da Terra do Fogo
(atravessando o Estreito de Magalhães), mas devido a um bom planejamento,
essencial a uma viagem cicloturística, havia me preparado para enfrentar as
mais diversas situações. |
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Pedalar
com temperaturas baixas, entre 4 e -6°C, foi uma experiência inesquecível,
apesar de ter tido durante alguns momentos da cicloviagem, as pontas de meus
dedos da mão e pés adormecidos, devido ao frio e assim a má circulação. |
| O rendimento da pedalada foi bom na estepe patagônica, de Comodoro Rivadavia |
| até
Rio Gallegos, fazendo entre 80 a 120 quilometros por dia, a paisagem que não
muda muito, chega a ser algumas vezes enjoativa, mas era quebrada com encontros
com guanacos e zorros, uma espécie de raposa. A partir de Rio Gallegos o rendimento caiu bastante e na Terra do Fogo, devido a uma tempestade de neve, |
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| fiz 23 “desanimadores” quilômetros em um dia, mas o que compensava os maus |
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rendimentos, eram os bosques e as altas montanhas de
picos nevados. Adorei pedalar sobre a neve, já sob gelo, existia o perigo dos
inúmeros tombos e atenção era redobrada. Uma das situações que mais me enriqueceram foram as convivências com os hospitaleiros moradores e criadores de ovelhas das estâncias. Dormindo em |
| algumas casas, bebendo muito mate e conversando bastante em volta de
aconchegantes fogões a lenha, aprendi muito sobre o dia a dia na Patagônia.
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| Agradeço
a Houston Bike, Easy Rider Viagens, Starshine, By Roupas Esportivas e Agfa
Filmes, por tornarem meu sonho real, pedalando comigo 1466 quilometros até
Ushuaia e alcançando a Baía de Lapataia, o final da “Ruta Nacional 3”, por
onde pedalei aproximadamente um mês. |
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| Aqueles
que se interessarem pela Pedalada del Fuego, tem maiores informações no site www.zander.com.br,
onde foi preenchido um diário durante a cicloviagem. |