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por Walter Magalhães Júnior fev/97Argentina e Chile
Nesta etapa tive a oportunidade de conhecer dois ciclista Chilenos que viajavam
na mesma direção que eu, então me convidaram para
viajar junto com eles até San Martín de Los Andes e trocar
experiências e viver aquela aventura juntos. Foi muito legal, pois
conhecemos outros ciclistas de vários países fazendo o mesmo
trajeto. Os acampamentos eram realizados nos fins de tarde nas beiras dos
lagos onde já haviamos programados para ficar. Levantar acampamento,
pegar lenha para fogueira e preparar o jantar era uma rotina saudável
após um dia de "trabalho" viajando pela natureza, contemplando montanhas
e lagos, conhecendo o povo rural da região com sua timidez peculiar,
mas com uma hospitalidade sem igual. Resolvi passar alguns dias conhecendo circuitos para serem feitos de bicicleta na região de Bariloche, e todos eles proporcionam aos seus viajantes um maior contato com a natureza e com as belas paisagens do local. Esta região possui vários refúgios, que são hospedagens que ficam quase no topo das montanhas. Escolhi o refúgio de "Cerro Lopez" para passar uma noite. Ele fica a uns 40 Km da cidade de Bariloche e a uma altitude de 800 m do nível do lago Nahuel-Huapi e possui 45 leitos. São 12 km de subida até chegar ao refúgio e devido ao esforço demasiado para chegar antes do anoitecer, fiquei com hipoglicemia (baixa taxa de açúcar no sangue) tendo que terminar os 800 m restantes a pé, deixando a bike e todos os equipamentos à margem da trilha que leva ao refúgio. Creio que consegui chegar lá graças uma lata de coca-cola cheia que ainda restava na mochila e que permitiu elevar um pouco a taxa de açúcar. Foi um pequeno susto uma vez que pelo horário ninguém mais trafegava pelo local, dependendo apenas das minhas atitudes e esforço. Um esforço que foi recompensado pela beleza da paisagem que se tem lá de cima e pelo silêncio quase absoluto se não fosse o vento. Naquela noite a lua cheia veio dar seu espetáculo iluminando o Lago Nahuel-huapi, mostrando a silhueta da Cordilheira dos Andes ao fundo e tornado a noite mais linda, deixando todos os hóspedes do refúgio (14 pessoas) maravilhados com sua luz. A próxima etapa da viagem foi atravessar a Cordilheira dos Andes, em direção ao Chile, pelo passo Vicente Perez Rosales que fica no Parque Nacional de mesmo nome, já em território Chileno. Após atravessar a Cordilheria e chegar do outro lado do Lago Todos Los Santos, tive a minha barraca furtada e este fato além de me deixar triste, me obrigou a alterar parte do meu planejamento. Porém, não me deixei levar por esta frustração e logo recuperei a motivação, a energia positiva e a paz interior com a magia da beleza desse lago e do vulcão Osorno. Então, o dia voltou a ser lindo e emocionante pra mim. Passei o resto do dia fotografando, sentindo toda a sensibilidade desse lugar. Viajei pela região dos Lagos Chilenos passando por grandes lagos e vulcões, onde alguns deles ainda estão em atividades, como é o caso do vulcão Villarica. Em
seguida, fui para o norte do Chile de avião para conhecer o Deserto
de Atacama, considerado o mais árido do mundo, pois a umidade relativa A minha intenção era fazer um percurso de bicicleta entre as cidades de Calama e San Pedro de Atacama. Porém, problemas com minha saúde me impossibilitou de completar está última etapa da viagem, restando apenas a oportunidade de realizar alguns registros fotográficos da cidade. Pedalei apenas 30 km pelo litoral do deserto e foi o suficiente para sentir o desafio que é viajar só naquela imensidão desértica e exótica. Bem, fiquei triste por não realizar está
etapa da viagem como havia planejado, mas tudo faz parte da aventura, coisa
boas e ruins, bons e maus momentos, e todos eles nos trazem experiência
e elevam a alma. Ninguém mais que aquele que está sentado sobre sua bicicleta, pode dimensionar o prazer, o gosto de liberdade, e a experiência que uma aventura acrescenta em sua vida. Está é uma das coisas mais gratificantes que conseguimos obter em qualquer aventura.
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