Ecossistemas Brasileiros: Natal(RN) - Fortaleza(CE)

NATAL (RN) - FORTALEZA (CE)

Parti pelo asfalto e nesse primeiro dia de "rally" resolvi me posicionar bem para encarar a maré vazante, bem cedinho no dia seguinte. Pedalei até bem pertinho do Cabo de São Roque, o ponto mais próximo da África e encontrei uma pousada muito confortável onde passei a noite. Nos três dias seguintes passei só por areia quando em praias lindas e virgens e muitos formações de pedras interessantes. Bem na Ponta do Calcanhar, onde o Brasil faz a curva e o litoral passa a correr no sentido Leste-Oeste, encontrei um centro de estudos holísticos, e uma pousada.

Onde também consegui o apoio para o projeto e uma aula sobre os chacras do planeta Terra. Passei a noite no sétimo chacra, e foi o último dia que choveu. Confirmando meu planejamento com relação aos ventos, a partir de Natal, o vento vinha de SE me empurrando ainda mais. O sol batia forte, por isso pedalava menos, apenas na maré baixa.

 

Praia de Morro Branco - Morro Branco (CE)

Quando o mar começava a subir, eu já havia chegado. No caminho conheci Galinhos, lugar maravilhoso e intocado, e que me deixou perdido, pois a vila fica numa reentrância do mar, com frente sul, bem diferente do mar sempre a leste que estou acostumado. O dia seguinte foi mais burocrático mas não menos cansativo, pois encarei uma desgastante estrada de piçarras (pedra e areia) até Macau. Se vocês olharem o mapa do Brasil, já a verão lá em cima, na costa norte do Rio Grande do Norte (RN). Como consegui chegar aqui, fugindo do trânsito das BR's e desbravando as praias mais ensolaradas do Brasil?

Praia de Morro Branco – Morro Branco (CE)

Na etapa seguinte, de Porto do Mangue até Fortaleza (Sabiaguaba), foram 7 dias de areia, vento nas costas e muito, mas muito sol. O únicos trechos que fiz pelo asfalto, foi entre Canoa Quebrada e Parajuru (CE), quando subi para Aracati para substituir um raio partido e na chegada à capital. Tinhaque pedalar no meio do dia, justamente no pior horário, para aproveitar a maré vazante e deslizar pelo nordeste.

Passei por lugares maravilhosos e virtualmente desertos. O dia em que sai de Porto do Mangue e fui dormir em Areia Branca (RN), eu contei 12 pessoas na praia, nos mais de 40Km do trecho. As paisagens são deslumbrantes, alternando-se mares de dunas e altas falésias, das mais variadas cores e formatos. Realmente, eu me sinto bem pequenininho diante de tanta natureza. Um lugar que realmente me impressionou foi Morro Branco.

Esta foi a quarta vez que passei por lá, mas em nenhuma outra, eu havia percebido como aquelas falésias são bonitas. São altas, com mais de 15 metros, formando um platô que sustenta a vila. As falésias são formadas por lençóis de areia de cores diferentes, formando as mais variadas pinturas expressionistas, conforme a posicao do observador. Com o passar do tempo, pequenos cursos de água da chuva transformaram-se em canyons, formando o famoso labirinto. Tirei muitas fotos! Outros lugares muito bonitos que passei foram a Ponta do Mel (RN) e a Ponta Grossa (CE). Esta, permite ver até Fortim, muito além de Canoa Quebrada. O potiguar é demais, realmente hospitaleiro, sabendo como deixar um turista se sentindo em casa. Melhor pra ele, pois assim os turistas sempre voltam! Já no Ceará, tive que enfrentar alguma xenofobia.

Tá certo que eu até possa parecer um marciano comedor de criancinhas, mas isso não existe e as pessoas estão vendo televisão demais! Em Fortaleza fiz contato com a midia e divulguei bastante o projeto da viagem, inclusive com duas entrevistas para a TV. Também desmontei a Nega inteirinha e lubrifiquei cada parafusinho dela, pois ela merecia, como presente pelos seus 2.000 Km. Para chegar em Fortaleza pedalei mais de 4.200Km em 115 dias de viagem, dos quais 32 parados. Foram 2.539Km pelo asfalto, 1.028Km pela areia da praia e 700Km por estradas de terra, com um erro de planejamento de 16% a mais de quilometragem efetivamente percorrida.. As médias por tipo de piso foram: pelo asfalto 17,5Km/h, pela praia 13,8Km/h e por terra 13,6Km/h. Ganhei muito preparo físico e a bicicleta estava ótima, macia e robusta como tem que ser uma mountain-bike e não me dava trabalho. Depois de quase uma semana parado fiz excelentes amigos em Fortaleza, descansei e me preparei para a próxima etapa, que já esperava ser bem mais dura que as etapas anteriores.


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