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O Encontro Nacional de Cicloturismo e Aventura deste ano foi um evento muito especial. Na sua quinta edição, foi a primeira vez que aconteceu fora da região sudeste. A cidade escolhida foi a pequena e aconchegante Timbó em Santa Catarina, próxima à Blumenau e o evento aconteceu entre os dias 02 e 05 de novembro. Algumas semanas antes confesso que estávamos um pouco apreensivos pois não sabíamos como seria um encontro realizado numa região diferente. Inútil preocupação. Tivemos mais de 150 pessoas reunidas, todas com o espírito saudável de troca e confraternização que o cicloturismo proporciona. Com idades variando de 8 a 72 anos os participantes eram de todas as partes do país. Além de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, havia gente de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e até de Pernambuco. O local da sede do evento não poderia ter sido melhor: o Jardim Botânico da cidade. Os participantes do evento tiveram inclusive a oportunidade de deixar sua marca lá plantando uma árvore.
No primeiro dia, tivemos um passeio bastante tranqüilo, com o objetivo apenas de aquecer as pernas e entrosar o pessoal. Pedalamos até uma Atafona que é uma antiga casa de farinha movida a roda d’água. O mecanismo todo funciona ainda perfeitamente e é utilizado pelos moradores da região para manufaturar a mandioca produzida. De quebra aproveitamos para um delicioso banho de cachoeira ali mesmo do lado da atafona. Na parte da tarde, tivemos o momento mais esperado pelos participantes que foi o lançamento do Circuito Vale Europeu de Cicloturismo. O Clube de Cicloturismo em parceria com a cidade de Timbó e mais oito municípios da região lançaram o primeiro roteiro brasileiro especialmente planejado para quem pedala. Em breve vamos publicar mais informações sobre este circuito.
A noite, a palestra com Ana Fukui
e César Pires, emocionou a todos. Durante dez meses o casal viajou de bicicleta
por países da Ásia como Laos, Camboja, Vietnã e China. Ana nos contou a rica
experiência de como estes meses mudaram sua maneira de ver o mundo e de como a
bicicleta teve a participação nesse processo. César, artista plástico,
apresentou e expôs as belíssimas aquarelas que produziu durante a viagem.
Com a fome saciada partimos para a volta num caminho também de terra que serpenteia pela margem do rio. De vez em quando a vista do rio tornava a paisagem especial. Foi inevitável uma longa parada na ponte pênsil para que todos pudessem ter a sensação de pedalar na corda bamba. À tarde, tivemos a excelente palestra sobre o Caminho de Santiago de Compostela dada por Carlos Beppler, seguida de uma mesa redonda com vários participantes que já tinham feito o caminho a pé ou de bicicleta. Em seguida uma aula de alongamento com Yasmin Costa, na qual ela ensinou os alongamentos básicos e importantíssimos para quem pedala. À noite, como ninguém é de ferro, tivemos uma confraternização para jogar conversa fora e relaxar.
O terceiro dia amanheceu com uma chuvinha fina, mas ao contrário do que chegamos a imaginar, quase ninguém desanimou. E o relevo era bem mais acentuado. O nome já diz tudo: Morro Azul. É um dos atrativos da cidade e bem próprio para quem gosta de subidas. Subimos lentamente é claro, sempre no ritmo do mais lento como é a regra do encontro e o espírito do cicloturismo. Também porque o objetivo dos passeios é contemplar a natureza, a cultura e conhecer as pessoas. Passamos pela Mulde, um bairro de colonização alemã que tem como característica as casas com arquitetura Enxaimel, telhado pontudo e estrutura de madeira recheada de tijolos de diversas tonalidades. Quando a chuva deu uma trégua, fizemos uma parada numa igrejinha para a distribuição das barrinhas de cereal Nutry (um dos apoiadores do evento). Vieram em boa hora pois todo mundo já estava reclamando da fome. Depois da subida maior, o visual lá de cima compensou totalmente esforço.
A palestra da tarde foi sobre Yoga
e Ciclismo, com o professor de yoga e ciclista Goura Das. Ele mostrou como as
duas atividades estão muito interligadas na sua filosofia e contou um pouco das
suas viagens pela Índia. Depois tivemos a palestra do Pedro Zohrer sobre como as
bicicletas reclinadas são uma alternativa confortável para o cicloturista. Ele
contou toda a história da fabricação das reclinadas no Brasil. Além de todas as atividades, ainda
tivemos uma feira com estandes relacionados a cicloturismo e uma exposição de
bicicletas antigas do I Encontro Sul Brasileiro de Bicicletas Antigas, que
aconteceu no mesmo local do nosso encontro. Rodrigo Telles. Fotos
do V Encontro Nacional de Cicloturismo e Aventura
Veja outros relatos de participantes do Encontro de Timbó: http://kbeppler.multiply.com/journal/item/76
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