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15 a 17 de novembro de 2002
Imagine
um passeio com cerca de 100 bicicletas juntas. Agora, imagine estradinhas de
terra cortando as montanhas, passando por cachoeiras e lugares com visuais
incríveis. Tudo com muito verde. Assim foram as pedaladas durante os três
dias do Encontro Nacional Half Dome de Cicloturismo e Aventura, em Lambari –
MG. Como
acontece no cicloturismo, o clima entre os participantes era de integração e
cooperação. No cicloturismo, não importa quem anda mais rápido ou quem vai
mais longe, o objetivo é aproveitar o passeio: observar a natureza, conhecer
pessoas, tirar fotografias, tudo sem pressa. A bicicleta é o veículo ideal
para isso, pois tem velocidade baixa, não polui e não faz barulho. No
primeiro passeio já deu para notar que havia gente de todo canto no grupo
(Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília); e de todo
tipo. Havia desde cicloturistas experientes e ciclistas de competição, até
aqueles que estavam acabando de descobrir a arte de andar de bicicleta. Todos
com uma coisa em comum: o amor pela bicicleta e a vontade de conhecer o novo. Mas
não era só pedalar o objetivo deste encontro. Discutir e aprender sobre o
cicloturismo também estava na pauta. Primeiro foi a palestra de Manuel Lin,
da Half Dome, sobre mecânica para viagem de bicicleta. O cicloturista não
precisa ser um grande mecânico, porém, precisa saber algumas coisas básicas
como regular um câmbio ou um freio, pelo menos para poder continuar a viagem
até que encontre alguém especializado que possa ajudar. Depois,
veio a palestra sobre planejamento de viagem, do cicloturista Fábio Zander.
Ele colocou didaticamente todas as etapas que estão envolvidas numa grande
viagem de bicicleta, desde o sonho até a divulgação no final. Mostrou também
que a viagem em si é apenas uma dessas etapas do projeto todo. À
noite tivemos um dos audiovisuais mais esperados: a viagem de bicicleta de
Hamilton Duarte, do Alaska até o Ushuaia. A palestra foi no próprio
restaurante dele, a Pousada e Restaurante América, que não tem esse nome por
acaso. A decoração é toda feita com as fotografias do Hamilton pelas Américas. No
dia seguinte, nos preparamos para mais uma pedalada. Agora tínhamos dois
roteiros. Um mais “light”, que nos levava até uma cachoeira, e outro bem
mais puxado. Todos foram até a cachoeira e, depois uma merecida parada para
comer frutas, seguiram apenas aqueles que estavam a fim de ralar. No começo a
subida era leve, mas foi se tornado mais pesada a cada pedalada. Foram 6km de
subida bem íngreme. Em alguns trechos não houve outra maneira senão
empurrar as bicicletas. Nessa hora entrou em ação a ajuda dos carros de
apoio. Mas sempre há aqueles que não se entregam e não saltam da bicicleta
por nada. Todo
esse esforço valeu à pena. Lá em cima da serra, chegamos a uma rampa de
salto de asa delta. O visual é simplesmente incrível! Víamos toda a região,
Lambari, o lago, outras cidades ao longe e até mesmo o prédio do Cassino
onde aconteciam as palestras. Depois
de algum tempo de contemplação, a ansiedade pela descida tomou conta do
grupo. Alguns desceram pela estrada normal e outros preferiram encarar um
single-track. Nada melhor do que sentir a gravidade puxando você ladeira
abaixo e o vento refrescando a pele. Lá
em baixo, o passeio terminou na praça das águas da cidade. São várias
fontes naturais, com águas de diversos tipos e com diferentes propriedades.
Água gasosa, sulfurosa, alcalina... Não importa! O que importava na hora era
matar a sede e re-hidratar os corpos cansados. À
tarde mais duas palestras importantes. Primeiro, o Alisson Dias desmistificou
o cicloturismo, explicando que não é preciso ser atleta e nem possuir
equipamento caro para viajar de bicicleta. Basta pegar a bicicleta e o
equipamento que você já tem e sair para viagem, desde que saiba escolher um
roteiro compatível, tanto com você quanto com seu equipamento. Com o tempo
você vai sentindo a necessidade das melhorias e aí vai investindo aos
poucos. Depois,
tivemos uma verdadeira aula sobre projetos envolvendo patrocínio, dada por
Leonardo Arantes. Com toda sua experiência no assunto, ele nos mostrou que a
relação entre o viajante e o seu patrocinador tem que ser uma relação séria,
um negócio. O patrocínio não é uma ajuda para um projeto, e sim uma relação
comercial onde ambas as partes têm que ganhar. À
noite, para relaxar, aconteceram duas projeções de slides: uma sobre o
Caminho de Santiago de Compostela, de Walter Magalhães e outra sobre a Volta
ao Redor do Lago Titicaca, que foi realizada em 1999 por Rodrigo Telles e
Eliana Garcia. O público mostrou que estava interessado, porque apesar de as
palestras terem terminado tarde da noite, ficou todo mundo até o final... e
acordado! O
encontro terminou no domingo com as incríveis histórias da viagem de Luiz
Arnaldo Lemmi, que fez o contorno do Brasil de bicicleta. O Luiz, como ele
mesmo gosta de dizer, “tem uma história para cada dia”. Não deixa ninguém
piscar, enquanto mostra seu trajeto abraçando todo o mapa do país. Quem
participou desse encontro com certeza vai querer mais. Certamente foi apenas
um de muitos que virão. Esperamos que muito mais gente se encante por esse
mundo maravilhoso das viagens de bicicleta. Para
a realização deste evento, juntaram suas forças, Rodrigo Telles e Eliana
Garcia (Clube de Cicloturismo do Brasil), Claudiléa Pinto (Bike OneList) e
Hamilton Duarte. Patrocínio:
Half Dome Equipamentos para Aventura Apoio: Impacto Feiras, Restaurante e Pousada América e Prefeitura de Lambari
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