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por Rodrigo Telles (março/2010)
Valdo foi padre e missionário a
vida toda. Seu nome era Valdecir João Vieira. Viajou muito durante a vida. Ao se
aposentar descobriu a bicicleta e começou a pedalar. Gostou, mas gostou tanto,
que dizia com toda a convicção que agora sim tinha descoberto sua verdadeira
vocação. Era pedalar.
Escreveu três livros sobre suas
aventuras de bicicleta: Pedalando Solitário do Oiapoque ao Chuí, Pedalando e
Desvendando a Carretera Austral – 30 dias com 500 dólares, e Pedal nas Nuvens –
Uma aventura na Bolívia, no Deserto de Siloli. Os livros eram vendidos (ainda
estão a venda aqui) e a renda ajudava no seu atual projeto: uma
Volta ao Mundo de bicicleta.
Montou o projeto Pedalando pela
Paz e, depois de cerca de três anos lutando por recursos para viabilizar a
viagem, finalmente pôs os pés na estrada para realizar seu grande sonho. Ele
tinha muitos padrinhos e madrinhas, pessoas que se identificavam com seu sonho e
o ajudavam com doações. Saiu do Brasil pelo Acre e iniciou sua jornada
internacional no Peru. Atravessou o Equador e a Colômbia entrando na América
Central. Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, que são
países muito pouco explorados por cicloturistas brasileiros. Ele escrevia sempre
um diário bem detalhado que é uma boa fonte de pesquisa para quem deseja se
aventurar por lá também. No dia 24 de fevereiro de 2010, já bem perto da fronteira dos Estados Unidos, Valdo faleceu de morte natural, sozinho em sua pequena barraca. Morreu fazendo o que mais gostava e realizando seu sonho. Valdo sempre foi muito alegre e positivo e provavelmente gostaria que sua morte fosse encarada da mesma forma. Muitos de nós o teremos sempre como um exemplo de alguém que leva a sério seus sonhos. E ainda bem que o fez, aproveitando cada minuto para realizá-los.
Se quiser ler os diários do Valdo: |