Desmontando a bicicleta para transporte

por Rodrigo Telles

Todos já ouviram falar e alguns já até sentiram na pele o modo bruto como as companhias aéreas tratam nossas bagagens. Por isso mesmo, o pior momento da viagem é o momento da despedida. Aquela hora em que você vê a sua amiga magrela e indefesa indo embora na esteira rolante.

Nos bagageiros de ônibus a coisa também não é uma maravilha. Normalmente a bicicleta vai acompanhada de pacotes e malas que ficam soltos ao sabor das curvas. E não se esqueça dos solavancos causados pelos buracos das estradas.

Por isso, tome algumas providências para poder ficar um pouco mais tranqüilo durante a viagem e não ter muita dor de cabeça depois. O mais importante é proteger bem todas as partes sensíveis da bicicleta.

A primeira decisão a ser tomada é o quanto vamos desmontar a bicicleta. Quanto menor o pacote ficar, mais fácil de transportar e menos problemas na hora de embarcar. Porém, estando um pouco mais montada, ficará também um pouco mais resistente às pancadas.

Por exemplo: deixar ou não a roda traseira montada no quadro? Mantendo a roda garantimos uma proteção um pouco melhor para que a parte posterior do quadro não seja comprimida no bagageiro do ônibus ou avião. Porém, ficamos com um volume meio grande.

Tirando a roda traseira, você será obrigado a tirar também o câmbio traseiro, caso contrário este ficaria sendo o pára-choque da bicicleta e muito provavelmente apareceria quebrado. Assim, esta é uma decisão pessoal.

Já a roda dianteira é sempre recomendável tirar para diminuir as dimensões. A não ser nos casos em que e se tenha certeza de que não haverá problemas para embarcar.

No caso de viagens de avião, as companhias exigem que você murche os pneus da bicicleta. Os compartimentos de bagagem dos aviões não são pressurizados. Por isso, pneus que não são de boa qualidade podem explodir.

Outras coisas que você pode soltar para diminuir o tamanho são: o selim, os pedais e o guidão. Os pedais e o selim, normalmente são muito simples de serem desmontados (lembre-se que o pedal da esquerda tem rosca contrária). Um detalhe interessante sobre os pedais é que eles podem ser novamente rosqueados, porém virados para a parte de dentro da bicicleta, e assim, ocupando menos espaço.

No caso do guidão, ao soltá-lo da caixa de direção, você notará que ele continua preso pelos cabos dos freios e dos câmbios. Não é um bom negócio tentar soltar os cabos. O melhor é dar um jeito de envergar os cabos (sem dobrar) e prender o guidão numa das laterais do quadro usando extensores elásticos ou fitas.

O desafio agora é acomodar todas as partes desmontadas junto ao quadro. Isto depende muito de cada bicicleta e da criatividade do dono. O importante é tentar não utilizar como apoio as partes mais frágeis como câmbios ou raios. Para amarrar as peças no quadro você pode utilizar cordinhas ou elásticos. Uma solução barata são as câmeras de ar. Corte em tiras compridas e utilize-as para fazer a amarração. Cuide para que partes metálicas não fiquem encostadas entre si. Utilize a própria borracha elástica ou um pano para isolá-las fisicamente. Isso evita arranhões e danos piores.

Uma dica útil na hora de montar esse Frankenstein, é prender as rodas de forma que o conjunto fique em pé sozinho. Pode parecer bobagem, mas depois, quando você estiver com outras coisas na cabeça, ficar escorando ou equilibrando a bagagem pode ser um fator de estresse.

Não se esqueça também de proteger as partes que ainda ficaram expostas como as alavancas do passador de marcha, as coroas, as pontas do garfo, gancheiras, e as pontas do cano da mesa (guidão) e do canote (selim). Para isso, você pode utilizar pedaços de couro, plástico bolha, ou até mesmo papelão com fita adesiva.

Agora, vem a etapa final que é embalar o conjunto. O mais prático é utilizar um mala-bike. Ele deve ter alças para facilitar o transporte e ser bem leve no caso de você ter que dobrá-lo e carregá-lo na bicicleta depois.